[avatar user=”RT1″ size=”thumbnail” align=”left”]Rita Gomes Todeschini – Analista Politica e colaboradora do site Na Pauta Online.[/avatar]

A seca está chegando e com ela a temperatura em Brasília se eleva por natureza. Se não bastasse isso, desde 2015/16 quando o impeachment da ex-presidente Dilma ganhava musculatura, até acontecer de fato, não vejo a temperatura política tão quente no quadrado quanto agora.

O país parou por uma semana. A greve dos caminhoneiros nos fez perceber o quão refém do transporte terrestre somos. A histeria coletiva se instalou: começaram os estoques de comidas e as intermináveis filas para abastecer, cena que não via desde os anos 90. Quando anunciavam aumento do combustível a noite, e todos corriam para o posto mais perto de casa para economizar uns trocados.

Obvio que aquele caminhoneiro que trabalha por conta, teve seus ganhos defasados com os mais de cem aumentos no valor dos combustíveis nos últimos meses. Porém esse caminhoneiro é só um em meio a grandes transportadoras e industrias.

Alguém já parou para pensar o quanto uma BRF irá economizar com suas frotas de distribuição com a redução do diesel nesses 60 dias?E que essa economia não será repassada para o consumidor final, muito menos será retornada como gratificações para seus caminhoneiros?

Alguém já pensou que um dos líderes da greve dos caminhoneiros, o Sr. José da Fonseca Lopes é filiado ao PSDB há mais de 20 anos e que tem como um dos slogam: “para mudar mudar de verdade o Brasil” e se diz do lado do povo?
Mas está mais é preocupado com ele?

Agora peguem o exemplo da BRF e multipliquem por tantas outras empresas? Essa luta não foi dos poucos caminhoneiros autônomos do país e sim de toda uma cadeia de logística de grandes empresas. E quem vai pagar a conta? Nós mais uma vez.

Não teremos redução no preço do álcool e da gasolina e muito menos no valor do gás metano, o gás de cozinha. Pelo contrário, podemos ter que pagar a mais por nossos combustíveis e nosso gás.Sem contar os cortes, as verbas que não serão repassadas, que ocorrerá na já tão sucateadas saúde e educação.

Por conta dessa greve e desse acordo de redução do preço do diesel, ficará mais difícil achar remédio de graça, afinal um dos programas mais afetados foi o da farmácia popular e quem depende de transplante.

Sem contar o absurdo de todo esse estrangulamento em serviços tão essenciais ainda tem mais, o programa de combate ao tráfico de drogas, assim como de seres humanos, exploração sexual infantil e pedofilia foram atingidos.Tudo para redução de R$0,46 no preço do diesel.Mas mexer em verba de publicidade, essa nem pensar não é Presi Temer?

E, para terminar, tivemos uma operação da PF no Ministério do Trabalho, em decorrência de fraudes na concessão de registros sindicais, em troca de vantagens e/ou honorários envolvendo os deputados Jovair Arantes, que já esteve enrolado numas negociações bem estranhas na CONAB, e Paulinho da Força, outro que é mais enrolado do que fumo de corda. A sorte do Paulinho é ter um Imediato como conselheiro.

O deputado federal Jovair teve seus sobrinhos exonerados dos cargos que exerciam no ministério do trabalho.

O engraçado é que todos os nomes citados eram da linha de frente que atuou para o impeachment da ex-presidente, alardeando que se tirassem ela do poder, assim como por milagre, a corrupção chegaria ao fim.

Só se for o fim da corrupção dos outros e não a deles.

Até semana que vem.
Twitter: @ricazinha