[avatar user=”RT1″ size=”thumbnail” align=”left”]Rita Gomes Todeschini – Empresária, Analista Politica e colaboradora do site Na Pauta Online.[/avatar]

Domingo passado o Brasil, mais incisivamente o judiciário, foi palco de uma das peças, ou talvez a peça, mais extravagante que já vivenciei nesses meus 4.5 de vida.

A briga partidarizada judiciaria ficou nítida, transparente e escancarada. Perderam o resto de pudor que ainda tinham.

De um lado o PT entrando com um Habeas Corpus numa sexta – feira, depois das 19 horas, para pegar um desembargador simpatizante a causa e, do outro lado, o Juiz que se acha a divindade em pessoa. Acima do bem e do mal, que trabalha escancaradamente para um grupo político “social democrata” e, por consequência, se acha acima das leis. Sim ele mesmo….. o juiz de Curitiba (me recuso a escrever o nome dele).

Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

Nunca antes na história deste país se viu a justiça tão célere e “competente”…juízes trabalhando em pleno período de férias (SEM PODER), presidente de TRF indo para o fórum em pleno domingo e uma carta da presidente do STF que não diz nada com coisa nenhuma… só fez para “dar” uma “satisfação” à sociedade e, portanto, só se preocupou em encher linguiça.

Porque afirmo que o povo mais uma vez foi boi de toada, meros figurantes que se acharam protagonistas de um roteiro tipo -100 do habitué político.

Foto: Spectrum – WordPress.com

Tudo começou em 2002, com uma peça dividida em vários atos: Ninguém apostava numa vitória do Lula, aquela seria a sua 4ª disputa à presidência, o país vinha de uma “estabilidade” econômica, houve uma série de privatizações entre 1994 a 2002, o partido que estava no poder, apostou todas as suas cartas no Serra, candidato que só Paulista compra, que é tão carismático que o partido teve uma brilhante ideia – acho brilhante mesmo – de escolher uma MULHER, Rita Camata, como vice, tentando assim quebrar a rejeição dele e principalmente “mostrar” ao país que o partido buscava um conversa com os excluídos na política, os chamados segmentos: mulher, LGBT, negros e etc…

Não deu certo, só o PSDB para acreditar que daria, enfim…
Ai a aposta foi esperar que o governo Lula fosse um desastre, como todos esperavam, e se eleger em 2006.

Fato esse que não aconteceu. Quando todos os partidos estavam de fora do governo, viram que Lula se reelegeria com uma facilidade absoluta, eis que foi lançado o 1º ato da peça, O Mensalão…

Foto: Divulgação

O Mensalão riscou, não arranhou, a imagem do presidente Lula. Porém miraram no que viram e acertaram no que não viram. O Mensalão acabou por levar o PMDB, atual MDB, para o ceio de governo, desequilibrando a “oposição”, porém eles acertaram no sistema nervoso central do Lula – com o mensalão eles conseguiram abater Dirceu, e com isso, para uma derrocada política do Lula bastava esperar 2010 (afinal Dirceu não seria candidato e Lula não teria tempo hábil para construir um sucessor).

E esse ato precisava dar certo, afinal os caixas dos partidos estavam começando a ficar no vermelho, só o fundo partidário não dava conta de pagar todas as contas, se é que você me entende?

Só que esse 1º ato não deu certo, pois num 2º e grande ato Lula oferece a vice-presidência para o maior partido fisiologista do Brasil, simmm ele mesmo, o PMDB.

Há essa altura o desespero já tinha batido em caixas vazios, contas no vermelho para os partidos dito de oposição.

Foto: Congresso em Foco

A coisa foi tão feia, que uma vez, quase tive que sair no tapa com o ex-Presidente do PSDB Sérgio Guerra, para conseguir uma simples gravação para o programa partidário regional. Ele disse que não tinha dinheiro.
Realmente para esse tipo de ocasião não havia verba, mas a verba existia para manter o luxo da executiva com fornecimento de almoço e jantar de um badalado restaurante de Brasília.

2010 veio, a posição até tinha conseguido em 1º compasso uma chapa razoável: Serra e Alvaro Dias como vice. Ai o menino mimado do DEM quis a vice e a coisa ficou estranha com um vice mais carismático do que o candidato.

Com essa briga de ego Lula agradeceu e conseguiu fazer uma substituta as pressas, com a mão amiga do MDB e reeleita em 2014, para desespero dos partidos de oposição, que há essa altura já tinha me afastado do covil de cobra partidário e até aonde soube a situação era desesperadora.

2018 chegando e tinha tudo para Lula ser candidato e se reeleger.
Mas os partidos que estão fora do poder há quase 15 anos precisam voltar a qualquer custo, nem que seja vendendo a alma para o pai do Capiroto, já que para o próprio venderam e não entregaram.

Ai escreveram o maior ato dessa peça: Lava Jato.

Foi a maior esculhambação que esse país já viu: a lavação de roupa suja entre Thereza Collor, Pedro Collor, Roseanne Collor e o próprio Collor foi amadorismo.

Afinal eles, precisavam fazer um acordão com  judiciário e tudo – dito pela boca do Jucá. E assim foi feito. Inventaram uma cruzada contra a corrupção, que só teve um alvo, afinal o povo não vai pra rua por conta de um apartamento abarrotado com R$ 51 milhões, mas foi para protestar contra um tríplex e um sitio. Fizeram o povo acreditar que só o PT roubou e com isso, achavam que tinham matado politicamente Lula.

Quanta inocência, muito pelo contrário, Lula parece massa de pão: quanto mais apanha mais cresce.

Foto: Jornal do Brasil

Então a solução encontrada foi: prendam o Lula e joguem a chave fora.
Bela tentativa, se não fosse uma aberração chamada Bolsonaro. Que tem mais intenção de voto do que o candidato da oposição: para desespero deles, afinal a essa altura a dívida partidária deve estar enorme….

E para quem acha que Bolsonaro não gosta do Lula e por isso merece seu voto, aconselho a vocês repensarem nessa hipótese, caso seu voto seja tão somente para barrar a eleição do Lula.

O único que não vai com os cornos do Lula de verdade, que sacrificou a sua eleição já sacramentada, porque se recusou a subir no palanque com ele, dando de bandeja o governo para Maria Antonieta tupiniquim, foi o Alvaro Dias em 2002.

O resto é encenação, pensem nisso.
Até semana que vem.

Twitter:@ricazinha