Foto reprodução - Previdência Social

O mundo empresarial o segredo, dizem, é a alma do negócio. No relacionamento do Estado com seus cidadãos essa máxima não tem grande valor. Ao contrário. Perde-se muitíssimo quando se implanta silêncio total sobre determinados aspectos. Não que isso seja novidade nas administrações do mundo político aqui e lá fora.

Brasil, Goiânia – Ao contrário. Perde-se muitíssimo quando se implanta silêncio total sobre determinados aspectos. Não que isso seja novidade nas administrações do mundo político aqui e lá fora. O problema é que na terra brasilis essa lei do silêncio nos palácios são muito mal afamadas.

Num dos episódios mais exemplares dessa desconfiança foi uma famosa entrevista concedida por um dos bambambãs do Ministério de Itamar Franco, Rubens Ricupero, que ao falar sobre a implantação do plano Real admitiu, entre um bloco e outro do programa, que não tinha escrúpulos: “o que é bom a gente fatura, o que é ruim e gente esconde”. A sincera declaração não era para o grande público, mas o áudio vazou por antenas parabólicas.

O que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde. É o que está acontecendo agora com a implantação de sigilo sobre os estudos que embasaram a equipe econômica a propor a reforma da previdência social? Pode ser que sim, pode ser que não. Que a proposta apresentada ao Congresso Nacional tem “gordura pra queimar”, como se costuma dizer das negociações entre Executivo e Legislativo, não há qualquer dúvida. O sigilo pode fazer parte desse jogo. Se abrir seus segredos de onde e até onde poderá recuar, é claro que o preço a se pagar pela aprovação do que é considerado essencial vai ser muito mais alto.

No mundo perfeito, o governo deveria apresentar uma proposta clara, sem excessos, e o congresso deveria ser convencido ou não, entendendo inclusive a reação da parte mais interessada, a população. Só que esse mundo é um faz de conta. Não existe. O jogo é bruto, e escrúpulos não são levados em conta nas cúpulas.

*Por Afonso Lopes – Blog: