Neste domingo de hoje, dia 12 de maio, é Dia da Mãe no Brasil e em muitos outros países.

 

Por José Carlos Pereira, poeta, escritor e jornalista português, membro fundador de várias agremiações culturais, incluindo a Associação José Afonso, com sede em Setúbal, é fundador do movimento cultural Tertúlias Itinerantes. É licenciado em Português-História, pela Universidade Aberta, de Lisboa, tendo frequentado o mestrado em Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Em Portugal as mães são celebradas no primeiro domingo de maio (ocorreu no domingo passado, dia 5). Há muitos anos, era celebrado no dia 8 de dezembro, feriado religioso em Portugal dedicado à Imaculada Conceição.

Assim sendo, hoje, é numa produção diferente do que têm sido as minhas crônicas quinzenais neste jornal, dedico um poema, escrito propositadamente para este dia, intitulado “Uma casa com vida reservada – um poema para todas as mães”, a pensar na minha mãe e em todas as mães do mundo, com especial atenção para todas as mães do Brasil, país sobre o qual a comunidade internacional tem de continuar a estar atenta e solidária sobre os direitos humanos.

 Uma casa com vida reservada – um poema para todas as mães

 

Ó mãe do mundo, mães da humanidade!

Minha mãe e mãe de todos!

 

Ó mães, fontes da vida, nascentes da luz

Que dão o colorido às cidades e transformam as casas

Com o calor inefável da ternura, dos beijos e dos conselhos

Com que fabricamos e comemos o pão – doce e amargo.

 

Mães, que impelem, oram e intercedem!

Que esgravatam nos jardins as raízes das flores

E cortam as ervas daninhas para refrescar os seus rebentos

Na aventura e desventuras do crescimento e dos caminhos.

 

Mães, que alimentam e tiram da própria boca

O primeiro e último alimento para seus filhos,

Dando-lhes corpo, vida e energia

Com a dignidade de toda a poesia!

 

Vós sóis a presença de Deus na Terra,

A casa da alegria – quase sempre cheia e por vezes vazia –,

Onde cabem todas as fontes que jorram

A água que deságua para além da existência.

 

Vós sóis o rosto e os olhos dos filhos do mundo,

Que gravitam, que choram e que apelam

Em louvor e desespero na governança dos dias;

A manta que nos cobre, no refúgio das causas,

Maior do que todos os milhões de céus,

Num infinito onde habitam as asas prediletas,

Que são as almas no seu eterno descanso.

 

Vós, mães, sóis o pão – doce e amargo.

O pão doce, da nobre sapiência do divino;

E o pão amargo, trazido no bolso da camisa

E ensopado pelo suor. Mas nada fica perdido.

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Também choro minha mãe e alegro-me e louvo

Sua vida,  sua morte e sobrevida,

Testemunho de amor e bondade, estoicismo e fé

Na essência dos mundos – o ser Um e o Ser indivisível!

 

Quero-vos muito, ó mães do mundo!

Mães dos pobres, minhas mães do Brasil, de todas as pátrias!

Dos oprimidos e dos opressores, dos mansos e dos bravos,

Porque nenhuma mãe se demoniza na hora do parto

(Eva não existiu, Caim, sim!

E Abel mora em todas as partes do mundo).

 

Intercedei, mães da humanidade, pelos vossos filhos que o (já) não são,

Que já não se apegam ao útero que os gerou! Filhos, que impõem

Que outros filhos vossos não sejam seus irmãos. Que os menosprezam,

Que os odeiam, que os insultam, que os exploram, torturam e matam!

 

Implorai, implorai, mães do mundo, minhas mães da humanidade,

Que o mundo é já uma casa com vida reservada!