Em 2019 foram registradas 435 notificações de Morte Encefálica e 75 doações efetivas de órgãos

Hoje no Brasil cerca de 34.000 pessoas aguardam na fila à espera de um órgão ou tecido, o grande desafio é conscientizar a população sobre a importância de se conversar com os familiares sobre o desejo de ser doador. A recusa familiar ainda é um entrave para a doação de órgãos e ela acontece muitas vezes por desconhecimento do processo de doação.

O Brasil possui uma das legislações mais rigorosas do mundo para o diagnóstico de morte encefálica e também possui profissionais extremamente capacitados para acompanhar esse processo e realizar as abordagens com as famílias.

Esses profissionais trabalham diuturnamente para acolher essas famílias que vivenciam a dor da perda de um ente querido e oferecem à essas famílias o direito à doação, atitude nobre e  generosa tomada em um momento muito difícil mas que leva esperança a quem ainda aguarda por mais uma chance para continuar vivendo.

*Estas informações foram nos repassadas através de entrevista da Gerente de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, Katiúscia Freitas, que nos explicou detalhadamente como é e o que é uma Central de Transplantes:

RDU – O que é a Central de transplantes de órgãos em Goiânia?

Katiúscia Freitas – Gerente de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás

KF – A Central Estadual de Transplantes é a representação estadual do Sistema Nacional de Transplantes – SNT. Ela é responsável por realizar ações de gestão política, promoção da doação de órgãos, logística, credenciamento das equipes e hospitais para a realização de transplantes, e ainda:

– coordenar as atividades de transplantes no âmbito estadual;

– propiciar condições para equipes credenciadas inscreverem potenciais receptores, com todas as indicações necessárias à sua rápida localização e à verificação de compatibilidade do respectivo organismo para o transplante ou enxerto de tecidos, órgãos e partes disponíveis;

– gerir o Sistema Informatizado de Gerenciamento – SIG (sistema que contém os dados dos potenciais receptores e potenciais doadores e que gera a lista estadual de doação e transplantes);

– notificar o órgão central do SNT sobre tecidos, órgãos e partes não distribuídos no estado, para que sejam utilizados dentre os relacionados em lista nacional; e,

– exercer controle e fiscalização sobre as atividades de doação e transplantes de órgãos e tecidos.

RDU – Há quanto tempo foi implantada?

KFA Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos e Tecidos de Goiás (CNCDOGO), agora denominada Central Estadual de Transplantes- CET (Decreto nº 9.175, de 18 de outubro de 2017) foi credenciada pelo Sistema Nacional de Transplantes / Ministério da Saúde em 1999, pela Portaria nº. 78 de 9 de Março, publicada em 11 de Março de 1999 no Diário Oficial da União.

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RDU – Onde funciona?

KF  – Atualmente a CET está situada no Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo – CRER, em Goiânia.

RDU -Quais os procedimentos a serem adotados para que uma pessoa possa receber um órgão?

KFPara receber um órgão, o potencial receptor deve estar inscrito em uma lista de espera, respeitando-se a ordem de inscrição, a compatibilidade e a gravidade de cada caso. A lista é única, organizada por estado ou por região, e monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e por órgãos de controle federais. Isso impossibilita que uma pessoa conste em mais de uma lista e permite que a ordem legal seja obedecida. Se existe um doador elegível (com morte encefálica confirmada), após autorização da família para que ocorra a retirada dos órgãos, a Central de Transplantes emite a lista dos potenciais receptores e informa as respectivas equipes de transplante que os atende.

O paciente deve procurar ou ser encaminhado a uma equipe de transplante credenciada junto à Central de Transplantes do Estado de Goiás e autorizada pelo Ministério da Saúde. Esta equipe irá avaliá-lo, solicitar exames, acompanhá-lo e inscrevê-lo junto ao Sistema Informatizado de Gerenciamento (SIS), sendo este coordenado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Feita a inscrição, automaticamente é gerado um número de registro chamado Registro Geral de Cadastro Técnico. Esse número identifica o paciente no Cadastro Técnico Único. Estar de posso desse número é direito do paciente, além de ser muito importante, pois é com ele que poderá acompanhar o prontuário pelo site, como sua condição na lista, recusas, ofertas, estado ativo, semi-ativo, entre outros.

RDU – A central funciona apenas na capital Goiânia?

KFApesar de sediada em Goiânia a Central Estadual de Transplantes atua em todo o Estado, seja através das notificações de diagnóstico de morte encefálica registradas pelas  unidades de saúde, seja pela educação continuada e treinamento efetuados nos mais diversos locais e, também no contato com os receptores residentes em outros municípios.

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O Estado apresenta equipes credenciadas

– para transplantes de córneas nos municípios de Aparecida de Goiânia, Anápolis, Rio Verde e Itumbiara, além de Goiânia;

– para transplantes renais e hepáticos somente em Goiânia;

– para transplante de medula óssea em Aparecida de Goiânia e Goiânia;

– para enxerto ósteo-muscular somente em Goiânia.

RDU  – Quantas pessoas trabalham e estão envolvidas diretamente na Central de Transplantes de Órgãos?

KFA Central Estadual Transplantes tem 96 servidores, dentre médicos, enfermeiros, psicólogos, técnicos em enfermagem e outros.

RDU  – Vocês têm parcerias com a iniciativa privada?

KFAs parcerias privadas são as mesmas apresentadas pelo Sistema Nacional de Transplantes/Ministério da Saúde ou pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás.

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A que mais se destaca é o Acordo de Cooperação Técnica com as empresas aéreas para efetuar o transporte de órgãos e tecidos, em todo o território nacional. Integram a parceria a Secretaria de Aviação Civil, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas, a Força Aérea Brasileira, e Agência Nacional de Aviação Civil, a Infraero e o Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde.

Temos também o apoio de órgãos públicos como bombeiros, SAMU, Polícia Militar e Polícia Rodoviária, Secretaria Municipal de Trânsito que auxiliam dando agilidade para o transporte dos órgãos em tempo hábil.

RDU – Quais os números nos últimos dois anos?

KF Em 2018 foram registradas:

391 notificações de MORTE ENCEFÁLICA

– sendo que 84,14% destas foram oriundas de hospitais da rede pública estadual;

– esse número é 5% maior do que o registrado em 2017;

– maior número de toda série histórica;

– foram 36 hospitais notificantes;

– HUGO e HUGOL somam juntos 65,2% do número de notificações.

89 Doações Efetivas – maior número da série histórica;

– o resultado é 25,35% maior do que o registrado em 2017;

– foram captados 245 órgãos, destes 101 foram disponibilizados para a Central Nacional (entre coração, pulmão, fígado, pâncreas e rins)

163 transplantes renais

5 transplantes hepáticos

891 transplantes de córnea / esclera

49 transplantes de medula óssea

13 transplantes de tecido músculo esquelético

Em 2019 foram registradas:

435 notificações de Morte Encefálica

– 11% maior do que o registrado em 2018

– 355 notificações foram realizadas nos hospitais da rede própria estadual (81%)

– HUGO e HUGOL somam 55,63% do número de notificações

– 40 hospitais registraram as notificações

75 doações efetivas de órgãos

– 16% a menos que em 2018

– foram 213 órgãos captados, destes 79 foram disponibilizados para a Central Nacional (entre coração, fígado, pâncreas e rins)

219 transplantes renais

6 transplantes hepáticos

593 transplantes de córnea / esclera

70 transplantes de medula óssea

14 transplantes de tecido músculo esquelético

RDU – O que preciso fazer para ser doador de órgãos?

KFPara ser doador, no Brasil, você não precisa deixar nada por escrito, em nenhum documento. Muitas pessoas acham que é preciso registrar a opção de doador de órgãos em qualquer documento pessoal, mas isso não é mais necessário. Basta você conversar com sua família sobre seu desejo de ser doador. A doação de órgãos só acontecerá após a autorização da família.

RDU – Quais os órgãos e tecidos que podem ser obtidos de um doador falecido?

KF – Existem três tipos de doadores:

  • Doador com morte encefálica: somente nesse caso é possível doar órgãos pois após a morte é possível manter o suporte artificial para funcionamento dos órgãos que podem ser doados como coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino e rins.
  • Doador após parada cardíaca: nesse caso é possível a doação de tecidos como córneas, vasos sanguíneos, ossos, tendões, pele, e válvulas cardíacas.
  • Doador vivo: em vida a pessoa pode doar um rim, parte do fígado, parte do pulmão e também pode ser doador de medula óssea;

 Portanto, um único doador pode salvar ou melhorar muitas vidas. A retirada dos órgãos e tecidos se realiza em centro cirúrgico, como qualquer outra cirurgia.

RDUApós a doação o corpo do doador fica deformado?

KFNão. O processo de retirada dos órgãos é uma cirurgia como qualquer outra, restando apenas a incisão. O doador poderá ser velado normalmente.

RDU – Como as pessoas podem entrar em contato com vocês?

KFA Central Estadual de Transplantes está localizada no Central Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo – CRER.

Os telefones de contato são: 62 3201-6720 / 62 3201-6722

O e-mail: transplantesgo@saude.gov.br

A página www.saude.go.gov.br/transplantes contém todas as informações sobre doação e transplantes de órgãos no Estado de Goiás.