O senador Bernie Sanders abandonou nesta quarta-feira (08/04) a corrida pela candidatura do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos. A decisão ocorre após o social-democrata acumular uma série de derrotas nas últimas primárias do partido.

Agora, o caminho está livre para que o principal adversário de Sanders na corrida, o ex-vice-presidente Joe Biden, garanta a indicação para disputar a presidência com o republicano Donald Trump no pleito previsto para ocorrer no início de novembro.

“Termina a campanha, mas a luta continua”, disse o senador pelo pequeno estado de Vermont, em comunicado. Sanders ainda agradeceu a seus apoiadores por terem “ajudado a criar uma campanha política com um movimento de base sem precedentes, que teve impacto profundo em mudar a nossa nação”.

O senador ainda pediu união no partido para que a agremiação consiga derrotar Trump.

“Juntos vamos derrotar Donald Trump. Mas também trataremos da crise do clima. Faremos o ensino superior acessível. E faremos o sistema de saúde disponível para todos. Não apenas reconstruiremos esta nação – vamos transformá-la.”

Pouco depois do anúncio, Biden se manifestou em mensagem no Twitter. “Conheço bem Bernie. Ele é um homem bom, um grande líder, e uma das mais poderosas vozes pela mudança em nosso país. É difícil resumir as suas contribuições para a nossa política em apenas um tuíte. Então não tentarei”, escreveu.

Trump também comentou a decisão, mas de maneira irônica, atribuindo a desistência à pré-candidatura da senadora Elizabeth Warren, que disputou o campo progressista com Sanders nas primárias, antes de abandonar a corrida após a chamada Superterça de 3 março, quando eleitores votaram nas primárias de 14 estados.

“Bernie Sanders está FORA! Obrigado a Elizabeth Warren. Se não fosse por ela, Bernie teria vencido quase todos os estados na Superterça”, publicou Trump no Twitter.

“Isso termina justamente como os democratas e o DNC [Comitê Nacional Democrata] desejavam, o mesmo que o fiasco de Hillary Trapaceira. A turma de Bernie deveria vir para o Partido Republicano”, completou o presidente americano.

Apesar da desistência, Sanders disse que continuará tentando somar delegados para a convenção do partido, ainda aparecendo nas cédulas das eleições primárias a serem realizadas. Ele afirmou que seu objetivo agora é obter um número de delegados que lhe permita “exercer uma influência significativa no programa do partido”.

Corrida à indicação democrata

Para conquistar a indicação democrata, um pré-candidato deve conquistar pelo menos 1.991 delegados nas primárias, que são distribuídos em sua maioria por voto popular, em primárias realizadas nos estados americanos. Sanders havia acumulado até agora 914 delegados. Biden, por sua vez, já conquistou 1.217. A corrida pela candidatura democrata havia começado com mais de 20 nomes no fim do ano passado, mas aos poucos foi se afunilando, passando a ser uma disputa entre Biden e Sanders.

Nas últimas quatro semanas, Sanders passou a acumular derrotas para Biden em estados com eleitorado considerável, como Idaho, Michigan, Mississipi e Flórida. Em um mês, ele só conseguiu vencer no pequeno estado da Dakota do Norte e nas Ilhas Marianas do Norte – os eleitores desta última nem sequer podem votar nas eleições de novembro.

Sanders, de 78 anos, também não estava conseguindo repetir seu desempenho nas primárias de 2016, quando sua pré-candidatura causou sérias dificuldades para a campanha de Hillary Clinton, que só conquistou a indicação democrata no início de junho.

O senador veterano manteve um apoio sólido entre o eleitorado mais jovem, simpáticos às suas propostas “europeias” para a educação e saúde. Sua pré-candidatura largou na frente em estados de população expressiva, como a Califórnia.

Mas a campanha acabou perdendo força de maneira decisiva na chamada “Minissuperterça”, em 10 de março, quando cinco estados organizaram primárias. Sanders perdeu até mesmo em estados onde havia vencido em 2016, como Michigan. Os resultados de março também apontaram que eleitores mais velhos, negros e latinos preferiram apoiar o centrista Joe Biden, que serviu oito anos como vice-presidente de Barack Obama.

Sanders, no entanto, decidiu permanecer na corrida, mas a pré-campanha democrata como um todo acabou perdendo espaço no noticiário com o avanço da pandemia de coronavírus. A própria pré-campanha de Sanders acabou sendo impedida de organizar comícios, ficando restrita a lives em redes sociais e entrevistas na TV, mecanismos que se revelaram insuficientes para provocar uma virada na corrida pela candidatura.

Agora, com nenhum outro adversário de peso na disputa, a candidatura de Biden deve ser oficializada na Convenção Democrata, prevista para ocorrer em agosto.

Fonte: DW