Michael Lane Brandin tinha noção de que o post que se preparava para escrever no Facebook causaria uma confusão. O que não antecipou foi que as consequências fossem tão longe. E assim , o norte-americano decidiu publicar a mentira, onde alegava ter testado positivo para a Covid-19, que o colocou atrás das grades.

Nas palavras de Brandin, tudo não passou de uma “experiência social”.

Uma “experiência” que foi ainda mais longe ao afirmar que os médicos lhe teriam explicado que o coronavírus estava agora no ar, o que significa que tinha passado a ser mais provável contrair a infeção, mesmo que não houvesse qualquer contacto com alguém infectado.

As reações ao post foram da simpatia ao choque. “Muitos amigos mandaram-me mensagens a perguntar se eu estava bem, e eu disse-lhes que era mentira“, explicou Michael Brandin.

Demasiado tarde. As falsas declarações espalhavam-se já a grande velocidade. O condado de Tyler estava a poucos dias de entrar em isolamento e os moradores, ansiosos, começaram imediatamente a contactar o hospital local, para confirmar a informação.

O caso acabou por chegar ao conhecimento do xerife, que ligou rapidamente a Brandin e lhe deu ordem para alterar a publicação. Mas o cumprimento da ordem já não tinha como evitar a propação, nas redes sociais, da mentira. E foi o que levou a polícia a recorrer também ao Facebok para informar os seguidores que o jovem, de 23 anos, enfrentava agora uma acusação por falso alarme.

Acusado de falsificar um relatório de uma emergência que, por sua vez, provocou uma resposta das autoridades policiais e médicas, Brandin acabou por entregar-se.

Eles disseram que eu tinha que passar a noite na prisão, porque tinha que esperar a chegada do juiz, no dia seguinte. Fiquei ansioso como nunca antes“, admitiu Brandin.

Depois de uma noite na cela, o jovem foi libertado, sob fiança de 1000 dólares, e ficou a aguardar o julgamento.

“Sou bacharel em comunicação de massas”, argumentou. “Fiz isto para provar como é fácil alguém postar algo online e causar pânico. Queria provar que é importante que as pessoas sejam educadas e façam as suas próprias pesquisas antes de assumir que tudo o que lêm ou ouvem é verdadeiro.”

As “boas intenções” tiveram consequências, que o jovem agora lamenta. “Por causa de uma publicação no Facebook, perdi o meu emprego e os benefícios na saúde. Não pude iniciar o meu mestrado a tempo, por não ter dinheiro. Isso colocou um fardo financeiro em cima da minha família, porque todos estão a tentar ajudar-me a pagar as minhas contas”.

“Infodemia” global

A Organização Mundial da Saúde já admitiu que o mundo está também a lidar com uma “infodemia”, uma pandemia de falsas informações, além da pandemia de Covid-19.

Em todo o mundo, publicar estas informações erradas sobre o vírus agora pode levar à prisão.

Segundo a BBC, há relatos de detenções na Índia, Marrocos, Tailândia, Camboja, Somália, Etiópia, Cingapura, Botsuana, Rússia, África do Sul e Quénia.

Neste último, Robert Alai enfrenta a possibilidade de uma sentença de 10 anos de prisão por um tweet. O homem, de 41 anos, afirmou que havia um surto em Mombaça, porto estrategicamente vital para o leste da África.

O governo queniano apelou repetidamente à população para que parasse de partilhar informações falsas e rumores, e quis fazer deste um exemplo para quem não cumprisse.

Alai foi, por isso, acusado de violar a lei dos crimes cibernéticos do Quénia.

O queniano nega a intenção de enganar ou criar notícias falsas, e diz que ficou por ter sido colocado numa cela com outros presos, onde não era possível manter os dois metros de distância.

“Não estou a dizer que eles não devam prender pessoas, e acho muito importante que a polícia possa fazer seu trabalho, mas acho que eles precisam de se concentrar nas pessoas certas”.

Fonte:SIC