*Por Fabricio Magalhães

Na noite em que esta matéria entrou no ar, hoje, dia 14 de maio de 2020, o Brasil registrou 188.974 mil casos da COVID-19 confirmados e 13.149 óbitos, dados disponibilizados pela Secretaria de Saúde do Estado de Goiás, que informou nesta data, que no estado de Goiás, haviam 1.134 casos de COVID-19 confirmados e 61 óbitos, sendo que a cidade do estado com o maior número de casos confirmados é Goiânia, que registrou 822 casos de COVID-19 confirmados e 30 óbitos, dados estes, informados pela Secretaria Municipal de Saúde do município de Goiânia.

A administração municipal de Goiânia, resolveu fazer uma testagem rápida da população, através da Secretaria Municipal de Saúde, realizada em quatro etapas, sendo uma a cada 15 dias, totalizando 22,4 mil testagens.

Estas testagens tem três estágios, um é o sorteio dos moradores de um dos bairros que foram mapeados e distribuídos em distritos para estas testagens, a segunda etapa começa quando o morador é contactado e convidado a ir em dia e local pré-agendados pela prefeitura para participar de uma entrevista e o último estágio é a testagem.

O Na Pauta Online, conversou com quatro pessoas que trabalharam nesta primeira fase da testagem, sendo duas entrevistadoras e duas enfermeiras que aplicaram a testagem, que teve seu início no último dia 09 de maio.

Foram feitas individualmente, quatro perguntas a cada uma delas, as repostas são surpreendentes, é como vivenciar um pouquinho o que cada um dos profissionais envolvidos direta e indiretamente com o processo de combate a COVID-19, sentem, e muitas das vezes a única maneira de se expressarem, são se isolando em um canto e chorando para que ninguém os veja.

As quatro profissionais que participaram, foram escolhidas aleatoriamente, são elas:

  • Jadna Cardoso da Silva  – Técnica de Enfermagem – 36 anos;
  • Sinara da Costa Gouveia Pessoa – Técnica em Enfermagem – 37 anos;
  • Vivian Alves Batista  – Publicitaria – 43 anos;
  • Pamila Michelli Nunes Fernandes – Pesquisadora\entrevistadora – 36 anos.
Jadna Cardoso da Silva – Técnica de Enfermagem – 36 anos

NPO – Você já havia trabalhado anteriormente com alguma atividade ligada a saúde?

Jadna Cardoso da Silva – Sim. Sou técnica de enfermagem, trabalho na rede hospitalar privada de Goiânia, e presto serviços à rede pública de saúde do município de Aparecida de Goiânia.

NPO – O que a COVID-19 mudou na rotina da sua vida?

Jadna Cardoso da Silva  – Tudo. A COVID -19 mudou nossas vidas. Não estou falando aqui simplesmente da alteração da rotina nesses dias de isolamento social, em que não podemos mais fazer caminhadas nos parques ou irmos aos bares e restaurantes. E sim de não podermos abraçar e beijar as pessoas que mais amamos, e o mais triste, não poder se despedir dos entes queridos.

NPO – Como é está fazendo este tipo de trabalho, o que traz de positivo ou negativo?

Jadna Cardoso da Silva  – É gratificante. Poder usar os meus conhecimentos em prol de cuidar dos que precisam. O lado bom, é que posso ser útil, ajudar de alguma forma, a minha região. O lado ruim, além de estarmos mais expostos, é o nosso abalo emocional de imaginar: “Até aonde isso vai? Quantas vidas se ceifarão?”, dói na gente imaginar tudo isso, às vezes, bate o desespero.

NPO – Ao detectar a testagem positiva em alguém, qual a sua reação, como fica o emocional?

Jadna Cardoso da Silva  – De imediato um susto. Porém, não deixamos transparecer ao morador, tentamos acalma-lo e passar todas as orientações, e seguir todo o protocolo de conduta que nos foi passado. O emocional com certeza fica abalado, é um “mix” de emoções.

NPO – O que você espera do futuro?

Jadna Cardoso da Silva – Que em breve se possa descobrir a vacina ou o tratamento correto para a cura e/ou prevenção do coronavírus.

NPO – Algo que gostaria de dizer e deixamos de perguntar ou alguma mensagem que gostaria de deixar às pessoas que estão lendo essa matéria?

Jadna Cardoso da Silva -Tenham fé e que Deus nos abençoe!

Sinara da Costa Gouveia Pessoa – Técnica em Enfermagem – 37 anos

NPO – Você já havia trabalhado anteriormente com alguma atividade ligada a saúde?

Sinara da Costa Gouveia Pessoa – Sim. Trabalho na UPA – Buriti Sereno e no SAMU.

NPO – O que a COVID-19 mudou na rotina da sua vida?

Sinara da Costa Gouveia Pessoa – Mudou praticamente quase tudo, tanto na vida profissional como pessoal.

NPO – Como é está fazendo este tipo de trabalho, o que traz de positivo ou negativo?

Sinara da Costa Gouveia Pessoa – De positivo que possamos colaborar para combater esse vírus e com certeza mais aprendizado na nossa área. De negativo, estamos mas exposto ao vírus.

NPO – Ao detectar a testagem positiva em alguém, qual a sua reação, como fica o emocional?

Sinara da Costa Gouveia Pessoa  – Tento manter a calma ao máximo possível, pois vem uma mistura de sentimentos de medo, preocupação comigo e com a pessoa e com os familiares da mesma e vários outros sentimentos.

NPO – O que você espera do futuro?

Sinara da Costa Gouveia Pessoa  – Espero que isso acabe logo e que possamos trabalhar sem tanto medo.

NPO – Algo que gostaria de dizer e deixamos de perguntar ou alguma mensagem que gostaria de deixar às pessoas que estão lendo essa matéria?

Sinara da Costa Gouveia Pessoa  – Que todos venham se prevenir, pois todos os dias vemos pessoas se contaminado e morrendo e muitos por ignorância, por não fazerem a prevenção adequada.

Vivian Alves Batista – Publicitaria – 43 anos

NPO  – Você já havia trabalhado anteriormente com alguma atividade ligada a a saúde?

Vivian Alves Batista – Não.Sempre trabalhei na área de publicidade e comércio.

NPO – O que a COVID-19 mudou na rotina da sua vida?

Vivian Alves Batista – Percebi o quanto somos vulneráveis, o quanto estamos bem e do nada já estamos infectados. O quanto é importante o isolamento e principalmente o uso de mascaras, porque o vírus é transmitido pelas partículas que saem dos espirros.

NPO – Como é está fazendo este tipo de trabalho, o que traz de positivo ou negativo?

Vivian Alves Batista – Eu estou sendo pesquisadora, entrevisto as pessoas enquanto a técnica de enfermagem realiza o teste. O trabalho em si achei maravilhoso, até acho que todo ser humano deveria fazer parte dessa equipe que sai para campo, e ver de perto como é na realidade. O lado positivo é você poder ter uma visão da necessidade do isolamento. O negativo é a carência das pessoas no geral, muitos se sentem sozinhos, não tem apoio da família.

NPO – Ao detectar a testagem positiva em alguém, qual a sua reação, como fica o emocional?

Vivian Alves Batista – Essa é a pior parte, enquanto está dando somente negativo é tranquilo, quando da casos positivos o psicológico de toda equipe é abalado, porque nos sentimos na posição do outro, ficamos tristes pela pessoa, sem contar que a reação do paciente é agressiva na hora, a pessoa não quer aceitar o teste ter dado como positivo, ele já fala que não está sentindo nada, os familiares (esposas e filhos ) já começam a ficar desesperados, e nós tentamos acalma-los de todo jeito e instruímos eles a irem na unidade de saúde mais próxima de sua casa para confirmarem o teste.

Com isso, nós todas da equipe, temos que tirar todo nosso EPI e pulverizar álcool 70% da cabeça ao pés, recolher o EPI e ir em uma unidade de saúde mais próxima descartar o material, vamos se dizer “infectado.”

No momento em que o teste dá positivo, já vem em nossa mente a imagem de alguém de nossa família com aquela idade, pensamos em filhos, maridos, mães, pais e irmãos.

NPO – O que você espera do futuro?

Vivian Alves Batista – Eu espero que os governantes deem mais apoio e respostas mais precisas para todos os seres humanos, que estejamos todos juntos novamente, de verdade.

NPO – Algo que gostaria de dizer e deixamos de perguntar ou alguma mensagem que gostaria de deixar às pessoas que estão lendo essa matéria?

Vivian Alves Batista – Protejam-se, cuidem dos seus, não saiam sem máscaras de jeito nenhum, quando forem atender a campainha, já coloquem as máscaras de imediato, se forem sair e ter contato com pessoas usem máscaras, mantenham suas casas limpas e higienizadas, lavem as mãos a todo o momento. Façam o isolamento, isso não é uma brincadeira.

Pamila Michelli Nunes Fernandes – Pesquisadora\entrevistadora – 36 anos.

NPO  – Você já havia trabalhado anteriormente com alguma atividade ligadA a a saúde?

Pamila Michelli Nunes Fernandes – Não. Trabalho para um instituto de pesquisas, sou pesquisadora ou entrevistadora.

NPO – O que a COVID-19 mudou na rotina da sua vida?

Pamila Michelli Nunes Fernandes – Mudou tudo, agora estou mas em cas,a quase não estou trabalhando.

NPO – Como é está fazendo este tipo de trabalho, o que traz de positivo ou negativo?

Pamila Michelli Nunes Fernandes – Foi gratificante, acho que todos deveriam fazer um trabalho assim, para exercerem sua humanidade.

Positivo – está tentando colaborar com as pessoas.

Negativo – é que estamos muito expostas ao vírus.

NPO – Ao detectar a testagem positiva em alguém, qual a sua reação, como fica o emocional?

Pamila Michelli Nunes Fernandes – A reação é uma sensação de impotência, de não poder fazer nada pela pessoa, e também de tristeza, preocupação com a pessoa, comigo, com a minha família, quando cheguei em casa e vi a minha filha de três anos, chorei horrores.

NPO – O que você espera do futuro?

Pamila Michelli Nunes Fernandes – Que tudo isso acabe logo, para podermos viver, trabalhar tranquilamente.

NPO – Algo que gostaria de dizer e deixamos de perguntar ou alguma mensagem que gostariam de deixar às pessoas que estão lendo essa matéria?

Pamila Michelli Nunes Fernandes – Que todos fiquem mais em casa, que se cuidem, porque a doença é muito perigosa, e que se previnam.

As duas entrevistadoras e duas técnicas em enfermagem que participaram da primeira etapa da testagem rápida da Secretaria Municipal de Saúde, de Goiânia, do COVID-19