“Juneteenth”, a celebração do fim da escravidão nos Estados Unidos, que ocorre a cada dia 19 de junho, teve este ano talvez a sua edição mais vibrante, com eventos em todo o país.

Desta vez ganhou ainda mais força com os protestos antirracismo iniciados após a morte de George Floyd, um homem negro que foi asfixiado por um polícia branco no dia 25 de maio em Minneapolis, causando uma onda de indignação em todo o planeta.

Várias cidades americanas, como a própria Minneapolis, além de Nova Iorque, Washington, Chicago e Miami foram palco de atos para festejar a data, que não é um feriado nacional, mas passou a ser alvo de muitos pedidos para ganhar esse estatuto.

O “Juneteenth” comemora quando, no dia 19 de junho de 1865, um general da União, Gordon Granger, leu uma ordem federal declarando liberdade para escravos negros em Galveston, no estado do Texas, dois anos e meio após o presidente Abraham Lincoln ter assinado a Proclamação de Emancipação.

Até agora era lembrada por muitos afro-americanos com piqueniques e refeições familiares como no 4 de julho (feriado nacional de independência do país), mas neste ano, devido à morte de George Floyd, o número de adeptos multiplicou-se como nunca.

ATOS EM WASHINGTON

A capital dos EUA, Washington, foi palco de mais de 20 eventos ao longo do dia relacionados com a data especial. Jogadores das equipas de basquetebol da cidade, os Wizards, da NBA, e as Mystics, da WNBA, participaram numa marcha que terminou no memorial Martin Luther King Jr., às margens do rio Potomac, e na qual muitos participantes usaram camisolas do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).

Não muito longe dali, outro grupo de dezenas de pessoas fez outra passeata ao longo da Mall, a esplanada entre a Casa Branca e o Capitólio.

Entre o obelisco em homenagem a George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos (1789-1797), e o Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, os manifestantes montaram mesas para incentivar as pessoas a se inscreverem para votar nas eleições gerais de 3 de novembro.

“Se não votares, não contas” e “Olha, ouve, lê, protesta, vota” eram algumas das mensagens escritas nos cartazes presentes.

Entre os participantes estava Laura, uma engenheira civil de 47 anos que contou à Efe que há um ano atrás não sabia sobre a data.

“Sou uma das poucas pessoas que não sabia da minha própria história, sabia que estávamos livres com Abraham Lincoln, mas não que houve dois anos de atraso no Texas”, disse.

Moradora de Baltimore, no estado vizinho de Maryland, afirmou que preferiu ir a Washington, no Distrito de Columbia, para se fazer ouvir pelas maiores autoridades do país.

“Eles precisam de nos ver e ouvir as nossas vozes”, ressaltou.

ROUPAS PRETAS EM NOVA IORQUE

Enquanto isso, em Nova Iorque, milhares de pessoas foram às ruas para uma marcha na qual a maioria das pessoas usava roupa preta.

“Estou aqui porque todas as vidas dos negros são importantes, estamos a tentar conseguir justiça e igualdade para os negros. Estamos aqui para apoiar os nossos irmãos e irmãs, e todos aqueles que vieram aqui hoje vieram para lutar, para conseguir justiça para os negros”, disse um dos participantes, Michael, frente à autarquia, onde o protesto começou.

Michael foi para a marcha com uma camisola preta com a frase “I can’t breathe” (“Não consigo respirar”), as últimas palavras ditas por George Floyd antes de morrer com o pescoço pressionado por um agente que o tinha detido sob a acusação de usar uma nota de 20 dólares falsa num mercado.

Além desse protesto, que aconteceu em Manhattan e contou com quase 2.000 participantes, houve um maior que começou no bairro do Brooklyn e atravessou o East River, com os manifestantes a gritar “Black Lives Matter” e pedindo a retirada de verbas para a polícia.

“HINO AFRO-AMERICANO” EM MIAMI BEACH

Em Miami Beach, “Lift Every Voice and Sing”, música de John Johnson e James Weldon, também conhecida como o “hino nacional afro-americano”, foi tocada nesta sexta-feira em comemoração do “Juneteenth”.

A cantora Nicole Henry emocionou as mais de 100 pessoas que se reuniram na primeira vez que a autarquia da cidade celebrou uma festa que não está no calendário oficial dos Estados Unidos.

“Rezo para que continuemos esta revolução moral, para acabar com o racismo e as práticas discriminatórias que têm seguido a escravidão. Essas práticas têm sido institucionalizadas em todos os níveis da educação, da vida social e económica”, disse a cantora.

O governador da Flórida, Ron Desantis, também se juntou às celebrações e proclamou o “Dia da Independência de 19 de junho”.

DECLARAÇÃO DE TRUMP

Já na Casa Branca, o presidente Donald Trump fez uma declaração na qual enfatizou: “O Juneteenth lembra-nos a inimaginável injustiça da escravidão e a alegria inigualável que deve ter acompanhado a emancipação”.

“É uma lembrança de uma praga na nossa história e uma celebração da capacidade inigualável da nossa nação de triunfar sobre a obscuridade” disse.

Fonte:EFE