A dez dias das eleições norte-americanas, a bolsa de valores de Nova Iorque fechou a semana em baixa, face às incertezas sobre o que as empresas terão de enfrentar, com Biden ou com Trump

A bolsa nova-iorquina encerrou a sessão de hoje sem direção, perto do equilíbrio, e a semana em baixa, com os investidores cada vez menos confiantes na aprovação de um plano de relançamento, a dez dias das presidenciais.

Os resultados definitivos da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average cedeu 0,10%, para os 28.335,57 pontos. Ao contrário, o índice tecnológico Nasdaq avançou 0,37%, para as 11.548,28 unidades, e o alargado S&P500 valorizou 0,34%, para as 3.465,39. No conjunto da semana, o Dow Jones desceu 0,95%, o Nasdaq perdeu 1,05% e o S&P500 recuou 0,53%.

“Os investidores gostariam muito de ver um texto [de um acordo de estímulos económicos] antes do escrutínio”, disse Karl Haeling, da LBBW.

O secretário do Tesouro afirmou hoje que ainda existiam “diferenças consideráveis” entre as posições dos republicanos e democratas nas negociações.

“Mas, visto que a bolsa não baixa muito, mesmo numerosas incertezas, isso leva a pensar que os investidores estão à espera da eleição, considerando que novas medidas de relançamento da economia, no pior cenário, serão votadas no próximo ano”, considerou Haeling.

Apoiando-se nas sondagens mais recentes, a maior parte dos operadores do mercado aposta na vitória do democrata Joe Biden na eleição de 3 de novembro, mas não afasta uma inversão da tendência ou inclusive uma contestação dos resultados, se a distância entre os candidatos for pequena.

Entre as cotações do dia, o título da Intel (microprocessadores) baixou fortemente (10,58%), depois de o grupo ter divulgado, na quinta-feira à noite, uma descida do seu volume de negócios trimestral, designadamente no referente aos contratos com empresas e governos, o que atribuiu à pandemia.

A American Express recuou 3,64%, depois da queda livre dos seus lucros no último trimestre, devido às despesas efetuadas pelos detentores de cartões de empresas desde o início da pandemia, as quais contudo continuam a pagar as suas dívidas.

Pelo contrário, o fabricante de brinquedos Mattel valorizou 9,56%, ao beneficiar no terceiro trimestre de vendas sólidas das suas bonecas, desde logo a Barbie, do peluche do Bebé Yoda, da saga Stars Wars, e de jogos de sociedade, como o Pictionnary.

Na próxima semana, os investidores vão seguir com atenção os resultados dos principais nomes do digital, entre os quais Amazon, Alphabet (a ‘holding’ da Google e YouTube), Facebook e Apple, que vão ser divulgados na quinta-feira, depois do fecho das transações.

Já o laboratório Gilead, ao subir 0,20%, pouco beneficiou da autorização permanente concedida hoje pela entidade reguladora dos medicamentos (FDA, na sigla em Inglês) ao seu medicamento antiviral remdesivir, para os doentes hospitalizados com a covid-19, confirmando a autorização condicional dada em maio.

Fonte: Lusa