Em 2020 a capitã Elisa Mirow foi a única mulher a comandar um barco em 70 anos de competição; em 2021, ela serve de referência para outras atletas e terá companhia feminina no comando de outro barco na competição  

Quem se emocionou com a medalha de ouro de Martine Grael e Kahena Kunze em Tóquio sabe que hoje a vela feminina está entre os esportes com maior sucesso recente para o país nos Jogos Olímpicos. Mas a força da mulher na modalidade vai muito além desta conquista. É o caso de Elisa Mirow, primeira capitã a liderar uma embarcação em uma das mais tradicionais competições do Brasil, a Regata Santos-Rio.

Com uma trajetória familiar bastante ligada ao esporte, ela leva sua liderança e paixão pelas águas para os filhos e para outras atletas mulheres, que veem em Elisa uma inspiração para assumirem o comando de seus barcos e guiar suas tripulações para o pódio na edição 2021 da prova.

Em 2020, Elisa foi a única mulher a liderar uma embarcação na 70ª Regata Santos-Rio, que contou com quase 70 barcos. “Sempre existiram mulheres dentro da competição e me sinto honrada em ser uma das primeiras mulheres a comandar próprio barco na competição. Vela sempre foi um esporte considerado muito masculino, mas estamos aqui para mostrar que isso não é uma regra”, explica Elisa.

Com patrocínio de grandes marcas, como a Copra, Elisa mostrou que a vela ultrapassa os padrões de gênero. Nessa edição, a capitã também irá competir, mas não estará mais sozinha na condição de liderança, pois, Carina Seixas também disputará a regata comandando sua própria embarcação. “Fiquei muito feliz com a participação da Elisa na edição passada. Em uma competição tão tradicional no esporte, é estranho termos tão poucas mulheres a frente de embarcações e comandando. Aqui no Veleiro Criloa, além de ser comando por uma mulher, a tripulação é 100% feminina”, afirma Carina.

A Santos-Rio começou nesta sexta-feira, dia 22 de outubro. Os competidores  percorreram a distância entre as cidades de Santos e o Rio de Janeiro, aproximadamente 220 milhas náuticas. Entre os mais de 20 inscritos desta edição, apenas Elisa Mirow e Carina Seixas são mulheres. Comandando, respectivamente, o barco Minna e Criloa, as capitãs da 71ª Regata Santos-Rio partirão para a vitória.

A Regata Santos-Rio é uma das mais tradicionais e difíceis competições da Vela de Oceano no Brasil, que reúne nomes consagrados do esporte como os medalhistas olímpicos Torben e Lars Grael e Maurício Santa Cruz, o Santinha, que disputou os Jogos de Atenas (2004) e Sidney (2000).

A largada da prova foi realizada na Baía de Santos, sendo a chegada na Ilha da Laje, na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Os competidores percorreram uma distância aproximada de 220 milhas náuticas, a prova durou três dias. Com organização do Iate Clube de Santos e do Iate Clube do Rio de Janeiro, chancela e apoio da ABVO, Associação Brasileira de Veleiros de Oceano, a competição é uma das mais desgastantes do território nacional, uma espécie de maratona da Vela, que pode durar até 96 horas com os participantes em alto mar.

As primeiras brasileiras comandando na Cape2Rio

Elisa Mirow começou a praticar o esporte ainda na adolescência. Sua primeira competição foi em 1982. Toda a sua vida foi pautada no mar e no amor pela sua família e pelo esporte. “Sinto que todas as decisões que tomei me encaminharam para onde estou hoje”, revela a esportista.

E agora Elisa se prepara para mais uma etapa na sua trajetória esportiva: a Cape2Rio, uma competição de veleiros cujo percurso cruza o Oceano Atlântico. A regata tem início na Cidade do Cabo (África do Sul) e se encerra no Rio de Janeiro. Durante a regata, são percorridas 3.600 milhas náuticas, aproximadamente 6.670km, sem uso de motor. Como a travessia depende exclusivamente do vento, os participantes podem levar de 20 a 30 dias em alto mar.

Carina também está se preparando para participar da competição e as atletas estão prontas para levar o nome do Brasil para o outro lado do oceano e marcar seus nomes na competição.

Organizada desde 1971, a Cape2Rio conta com a participação de cerca de 50 veleiros de diversos países. Em toda a competição, mais de 800 barcos já fizeram a travessia. Destes, apenas quatro com mulheres no comando. Elisa e Carina poderão ser as primeiras capitãs brasileiras na Cape2Rio.

Os números da prova são desafiadores. “São mais de 6 mil quilômetros de percurso. É necessário muito treino e muita força, tanto física quanto mental”, ressalta Elisa. Um caminho que daria, no máximo, 17 horas de avião, pode durar até 30 dias.

Tanto eu como a Carina estamos nos preparando e temos grandes chances de participar da competição, nossa busca é por patrocínio. É uma grande honra representar o país e ser uma das duas primeiras brasileiras a comandarem um barco na Cape2Rio. Vamos com tudo para fazer bonito”, destacou.