Ela é paraense, advogada criminalista há mais de 9 anos, mora atualmente em Campinas-SP, solteira, 1,70 cm de altura, 32 anos, independente, estilosa e a Dominadora Rainha Ágatha Chandra.

O RedeUSA, conversou com a Dra. Érica Zucatti, a Rainha Àgata Chandra, para saber como é viver esses dois mundos, advogada criminalista e dominadora profissional.

REDEUSA – Dra. Érica, há quanto tempo reside em Campinas – SP?

 EZ – Há 25 anos.

 

REDEUSA – O que te levou a escolher a advocacia e a área criminal?

 EZ – Desde que ingressei no curso de Direito tive paixão pela seara criminal, fiz estágios na área pública durante a graduação, mas por incompatibilidades de visão segui a carreira privada, sou advogada há quase 10 anos.

 

REDEUSA – Você tem um perfil aberto no instagram, com o nick: Rainha Ágatha Chandra, quando e como surgiu o fetichismo em sua vida?

RAC – Eu tenho apreço pelo fetichismo desde a adolescência e características dominantes desde criança.

 

REDEUSA – Uma pergunta clichê, se lembra qual a sua primeira experiência fetichista?

RAC – Tive experiências nos meus relacionamentos baunilha e sempre me envolvi com homens submissos (que talvez não tivessem essa compreensão na época, todavia sempre me trataram como Rainha e fizeram as minhas vontades para me agradar, bem como tinham atos de reverenciamento, adoração e temor), com exceção do meu último.

 

REDEUSA – Como resolveu esta questão do fetichismo com a família, uma vez que a maioria das pessoas com algum tipo de fetiche, escondem dos outros?

RAC – Foi bem simples, sempre fui a ovelha negra da família então quando resolvi me profissionalizar como dominadora decidi que devia levar a sério como o restante da minha vida, por isso me assumi para além dos círculos mais próximos e contei para a minha família.

 

REDEUSA – Umas das coisas que nos chamou atenção visitando seu perfil Rainha Ágatha Chandra, é que além de não ter mascaras cobrindo o rosto, você divulga sua profissão, advogada, as pessoas em seu meio de trabalho questionam ou já questionaram algo a respeito?

RAC – Sou constantemente julgada, perdi amigas advogadas que inclusive sabiam desse meu lado que pararam de falar comigo quando isso se tornou público. Já fui questionada, porém isso não invalida minha carreira como jurista, são coisas diferentes que se comunicam, até porque muitas técnicas que uso como advogada também faço uso como dominadora, trabalho no poder de convencimento e persuasão de outras pessoas que querem me servir. Costumo dizer que sou uma só, não sou um personagem, a minha versão dominadora só é mais uma delas assim como sou filha e mãe, são papéis na minha vida que se complementam na complexidade do que sou.

 

REDEUSA – O que é uma Dominadora Profissional?

RAC – Também chamamos as dominadoras profissionais de dominatrixes, são aquelas que recebem tributos e/ou mimos nas relações de dominação/submissão, sadomasoquismo e outras. Para mim é uma forma de levar uma paixão de muitos anos com seriedade e responsabilidade, também de materializar meus projetos pessoais. As dominatrixes não são garotas de programa muito embora haja uma sexualidade no trabalho e as sessões não envolvem nudez e/ou sexo em troca de dinheiro. Também sou uma high classe domme que é uma dominadora profissional de alta classe.

 

REDEUSA – Já chegou a dominar alguém no seu trabalho (sem citar nomes ou cargo)?

RAC – Acontece direto, muitos advogados, policiais, promotores, juízes e empresários, sempre no sigilo pois sou a única assumida do relacionamento. rs.

 

REDEUSA – Já dominou algum familiar ou amigo?

RAC – Sim.

REDEUSA – O que a advogada Érica Zucatti e a Rainha Ágatha Chandra, pode dizer às pessoas que estão lendo esta matéria e tem vontade de assumir seus desejos, mas temem a exposição?

EZ – Penso que BDSM é sobre liberdade e não viver a liberdade em sua plenitude é viver aprisionada. Já fui anônima por muitos anos e me sentia oprimida, sempre faltava alguma coisa, não era aquilo que eu queria viver, presa. Por uma infelicidade da vida meu último ex resolveu me ameaçar de exposição, foi quando decidi que não fazia nada errado e que eu ia então me expor do meu jeito pois não ia ficar refém dele. Não é fácil, o custo é alto, as críticas constantes, mas escolher poder dizer às pessoas quem sou foi a minha melhor escolha depois da minha filha. Tem que ser muito bem pensado porque é caminho sem volta, um ato de enorme coragem, entretanto a covardia nunca me coube na minha vida então aconteceu assim como tinha que acontecer. Não me arrependo mas não incentivo outras pessoas pois todos sabem onde aperta os próprios sapatos e ainda vivemos numa sociedade lotada de hipocrisia e discriminações. Ainda, geralmente quem é contra é quem quer me servir no anonimato – e até já me procuraram para isso – porém não são merecedores disso, até a submissão carece de dignidade e deve ser honrada.

 

REDEUSA – Alguma coisa que deixamos de perguntar e você gostaria de dizer?

EZ – Sejam vocês mesmos e deem atenção e valor apenas a quem merece, não foquem tanto a aparências e bens materiais, vivam a sexualidade como bem desejarem, se for saudável, seguro e consensual não diz respeito a mais ninguém. Quem sabe mais pessoas possam também se sentirem bem no futuro para assumirem suas preferências e identidades como eu fiz e possam viver com mais liberdade suas relações, sejam como dominantes ou submissos, pouco importa se está dentro ou fora da jaula, o sentimento de libertação é um só e hoje posso dizer com tranquilidade que gozo dele.