A 8ª Edição do Santos Film Fest – Festival de Cinema de Santos teve seu encerramento na última quarta-feira (29 de junho).

O festival exibiu mais de 60 filmes, três exposições, oito atividades formativas e dois lançamentos de livros, que no total ocuparam 11 espaços da cidade, entre salas de cinema, praças, escolas, ONGs, creches, hotel.

O filme “A Cidade dos Abismos”, dirigido pelo prof. Renato Coelho, do Centro Universitário das Américas (FAM) e com montagem do prof. Caio Lazaneo, ganhou o prêmio de Melhor Filme Longa-metragem no Festival.

Com elenco surpreendente, o longa apresentou atuação de Verónica Valenttino, vocalista da banda Verónica Decide Morrer, e participações de Padre Júlio Lancelotti e Arrigo Barnabé.

“É o primeiro longa que eu realizei, codirigido pela Priscyla Bettim e com montagem do professor Caio Lazaneo. Ele representa uma grande felicidade para nós. Temos uma produtora independente chamada Cinediário. A gente vem realizando curtas desde 2012/2013 com uma trajetória de uns 10 anos. “A Cidade dos Abismos” é o nosso primeiro longa e representa esse um salto de filmes mais curtos para realização de um primeiro longa-metragem”, afirma o diretor Renato Coelho, professor do Centro Universitário das Américas FAM.

A obra rodada no centro da capital paulista, em locais como a Rua do Triunfo, berço do cinema marginal, traz a história de três personagens que têm seus destinos entrelaçados depois de um evento trágico em plena noite de Natal. Com estética e narrativa fragmentadas, “A Cidade dos Abismos” alude a produções como “Bang-Bang” (Andrea Tonacci, 1971) e “Filme Demência” (Carlos Reichenbach, 1986).

A filmagem ocorreu em janeiro de 2019, mas o filme ficou pronto em meados de 2020 e pegou o início da pandemia. A estreia acabou acontecendo em agosto de 2021 no festival IndieLisboa, em Portugal. O filme estreou com uma ótima visibilidade. Logo depois estreou nacionalmente no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, onde foi premiado com uma menção honrosa na categoria “Novos Olhares”. E a partir daí começou a ser exibido em outros festivais, dentro do Brasil e fora.

“Eu destacaria como festival bem importante, o Festival Internacional de Cine de Cartagena de Índias – Colômbia que é um dos principais festivais latino-americanos. O filme vem sendo exibido há um ano e a nossa ideia é que ele estreie nas salas de cinema entre dezembro desse ano e janeiro de ano que vem”, completa.

Divulgação

Para Caio Lazaneo, responsável pela montagem do longa e coordenador do curso de Cinema e Audiovisual da FAM, trabalhar com o Renato Coello e Priscyla Bettim foi um prazer enorme, porque são diretores extremamente zelosos, criativos e empenhados no desenvolvimento estético do filme.

“O processo de montagem durou cerca de 10 meses, foi um filme filmado em película em três bitolas diferentes, 35mm, 16mm e super8. Tecnicamente foi um processo bastante rigoroso. E depois de filmado, foi revelado em Los Angeles. As imagens foram digitalizadas e retornaram para São Paulo, para iniciarmos o processo de pós-produção. O processo de montagem demorou bastante porque ele foi muito pensado tecnicamente. Tivemos uma contribuição generosa antes do corte final da montadora Cristina Amaral, que é uma grande referência para nós. Ela assistiu atentamente ao filme, e contribuiu com apontamentos preciosos”, explica.

“Como coordenador de Cinema e Áudio Visual da FAM, é um enorme orgulho ter um filme premiado no cinema Internacional como o de Santos, concorrendo com diversos outros filmes importantes. Esse prêmio só reforça que o curso valoriza professores que aliam uma prática efetiva de mercado, que conhecem a produção cinematográfica de dentro e transmitem isso com afinco a seus alunos e alunas. Então, para nós, ter um filme de professores da FAM premiado reforça muito a importância dessa conexão entre o aluno e o professor, diante daquilo que ele resolveu estudar” finaliza.

O júri foi composto pelas cineastas Andrea Pasquini, Julia Katharine, e os professores doutores Jamer Guterres de Mello e Rogério Ferraraz. As mostras regional e de animação tiveram como jurados a atriz Ondina Clais, a designer gráfico e professora Márcia Okida e o professor e cineasta Wanderley Camargo.

A cerimônia de premiação aconteceu na Open House Idiomas, com lançamento da exposição A Luz da Sétima Arte, com pinturas que expressam cenas de filmes clássicos, do artista plástico Waldemar Lopes.

Sinopse do Filme

Glória, mulher trans, Bia, jovem da classe média paulistana, e Kakule, imigrante africano, testemunham uma morte brutal na véspera do Natal. O evento, vivenciado num bar decadente da capital paulista, muda o destino de suas vidas. Embora mal se conheçam, uma aliança é formada ali. Indignados com os rumos da investigação do crime, os três se recusam a ceder à injustiça e decidem ir atrás dos algozes. No filme, a inevitável descida ao inferno é permeada pela amizade e pelo afeto. E as utopias continuam vivas mesmo quando o corpo padece.
Confira o trailer. Em breve nos cinemas.

Confira o trailer. Em breve nos cinemas.

Trailer:

https://vimeo.com/540853321