*Por Maristela Basso

A reunião de cúpula da OTAN, ocorrida no final do mês de junho, não tratou apenas da adesão de Suécia e Finlândia, nem foi marcada somente pelos tempos de guerra na Ucrânia. O tema central girou em torno do futuro da Organização, isto é, de um “Novo Conceito Estratégico de Aliança Militar”.

Certamente, no cenário internacional atual a Rússia representa clara ameaça à paz e segurança do mundo, especialmente à zona euro-atlântica.

Para conter a Rússia é imprescindível meios efetivos e estratégias consistentes de persuasão militar capazes de provocar no adversário um temor real que desencoraje qualquer tipo de agressão.

Para tanto, é preciso incrementar os gastos de defesa com vistas a completar, atualizar e modernizar constantemente as capacidades militares dos países membros da Organização e desta, consequentemente. Melhorar a inteligência militar implica armamento nuclear, maior quantidade de ogivas e de mísseis balísticos que possam ser lançados de aeronaves, plataformas terrestres e submarinos.

Ademais, é fundamental também que a OTAN fortaleça a sua credibilidade e se comunique com maior clareza e objetividade, sinalizando quais são as suas funções, bem como os limites de segurança que defende e pode sustentar.

Daí porque, o “Novo Conceito Estratégico da OTAN”, proposto na última reunião, sustenta-se sobre três pressupostos básicos: “dissuasão”, aprimorando sua capacidade de defesa; “prevenção e gerenciamento de crises”; e “segurança cooperativa”.

Contudo, a indagação que se impõe diz respeito à superação das dificuldades que a OTAN vai encontrar nesse esforço de fortalecimento da autoestima.

Os desafios econômicos e políticos internacionais são enormes, como se sabe.

Os países europeus começam a preparar a opinião pública para as necessidades de racionamento de gás e combustível.

A queda das importações de trigo e outros grãos, tanto da Ucrânia como da Rússia, faz com que a União Europeia tenha que enfrentar graves consequências resultantes da insegurança alimentar.

A inflação já atinge os países ricos.

Em junho, o índice de preços ao consumidor, em 12 meses, nos EUA, chegou a 9,1% – o mais alto desde 1981. No mesmo período, na zona do euro, chegou a 8,6%.

Inevitável, portanto, a desaceleração do crescimento econômico nos EUA e Europa.

A desvalorização do euro frente ao dólar e o muito provável aumento dos juros, pela primeira vez em mais de uma década, pelo Banco Central Europeu, são fatos preocupantes.

Inflação desenfreada no resto do mundo também, crise alimentar de grandes proporções, demissão de Boris Johnson, no Reino Unido e situação claudicante de Mario Draghi, na Itália, são apenas alguns dos obstáculos que tornam prementes a necessidade de mudança de rota e refundação da OTAN.

Isso é sabido, mas como fazer as alterações e correções necessárias em cima de um barril de explosivos e quando os recursos e atenções dos países membros estão voltados à emergência dos problemas domésticos?