Ele tem 62 anos de idade, natural de Cianorte-PR, divorciado, tem três filhos, é Técnico Agrícola, Zootecnista, Mestre em Nutrição Animal pela UFRGS e PhD em Solos pela Pennsylvania State University, USA.  Hoje reside em Campinas-SP e é considerado o Rei dos Balanços” das praças e parques urbanos da cidade de Campinas. O RedeUSA, bateu um papo com Elson Dias da Silva, para saber um pouco mais dessa história e como tudo começou.

R.USA – Elson como teve início, esta história de balanços nas praças e parques na cidade de Campinas?

ED –  Em maio de 2021, causalmente lancei um galho em direção à copa das árvores para sentir a capacidade de arremesso e por curiosidade, sem expectativa alguma, coloquei o primeiro balanço.

R.USA – Qual material é utilizado para a construção desses balanços e qual o nível de segurança para os usuários?

ED – Recentemente estou usando corda PET 10 mm com resistência para 780 kg na corda principal, e a reserva é de 4 mm para 200 kg para ser ativada quando a corda principal falha. Os balanços são feitos de pneus ou madeira. Os pneus podem ser pequeninos, como de empilhadeiras ou motocicletas tipo Aro 10, ou de caminhão que usa corda de 14 mm para 1300 kg na corda principal e reserva de 10 mm PET. Utilizamos alguns tipos de nós importantes, como nó cego simples, nó cego duplo, nó em oito, nó forca, Laiz de guia e nó de emendas. Fazemos balanços, tirolesas de praça, com percurso inferior a 30m, desde bebê até adultos e escada de corda em que usamos cabos de vassoura e corda PET 4 mm para 200 kg cada lado.

SEGURANÇA

Nunca tivemos qualquer acidente associado com a falha dos brinquedos. Ocorrem acidentes casuais pela falta de experiência ou abuso.

R.USA – Quantos balanços você já fabricou para a colocação nas praças e parques?

ED –  Até hoje foram colocados mais de 80 balanços, 15 escadas de corda e 5 tirolesas.

R.USA – Você sozinho banca a fabricação desses balanços ou conta com ajuda e apoio da iniciativa privada e do poder público?

ED –  Eu custeei os primeiros balanços e desde então tenho recebido doações da comunidade em cordas, cabos de vassoura, cabo de aço, polias, madeiras. Recentemente temos sugerido doações financeiras no PIX onde acumulo e faço compra das cordas em rolos, pagando cerca de 1/4 do valor. Com estas doações tenho comprado roldana de polia dupla para tirolesa, mosqueteiros, presilhas para cabos de aço, destorcedores e mais recentemente ferramentas como Topia, pistola de pintura, serra tico-tico. Temos conseguido madeiras grátis dos retalhos das construções civis, que são usadas no fundo dos pneus e travessas. Tenho conseguido pneus e madeira na reciclagem em móveis velhos ou danificados. Já recebemos doações de cordas e presilhas de cabo de aço de uma loja de materiais de construção.

O poder público não tem ajudado nem na troca de lâmpadas, colocação de mais lixeiras, bancos, água potável e sanitários.

R.USA – Alguém já foi contra ou é contra esse projeto, ou mesmo o poder público é a favor?

ED –  A primeira surpresa no início deste projeto, foi o respeito que a bandidagem tem com as famílias e crianças nas praças. Nada foi roubado ou danificado e os bandidos até ajudam a instalar e a cuidar. Já me informaram que o meu projeto ajuda a retirar as crianças faveladas das ruas, porque ficam na praça brincando com segurança. A praça é muito segura e respeitada. Nunca presenciei qualquer briga ou abordagem criminal. Também todos colaboram com a limpeza e não deixamos o lixo acumular, sempre retiramos o lixo cada vez mais escasso pois o nosso lema é: LIXO ATRAI LIXO E LIMPEZA ATRAI LIMPEZA. Todos colaboram.

Uma moradora influente que não quer crianças barulhentas na frente da casa dela tem feito muitas denúncias fraudadas, pois ela não é usuária do local. A praça tem um histórico antigo de rejeição de uso, pois nunca deixaram colocar bancos, colocaram pedras estratégicas para não ter pelada de futebol, tem uma mina de água na praça que foi escondida e canalizada, ouvi dizer que uma ligação de água da Sanasa está oculta. Um parquinho que começaram a construir na frente da casa desta moradora no passado, ela mandou remover para o outro lado da praça. No início ela reclamou que estava colocando muitos pneus e que o barulho das crianças deixava ela doente e que iria cortar os balanços de pneu de caminhão porque presenciou ato sexual as duas da manhã. Eu disse que ela tinha que ligar para a polícia se isso incomodava, pois antes faziam nas pedras. Duas semanas depois o pneu de caminhão foi roubado por alguém que chegou de carro e cortou. Não instalei o reserva porque sabia que seria roubado novamente, então instalei 6 pneus verticais, e aí teria que subir 8 metros para cortar. Temos um vídeo com o recorde de 8 pessoas neste balanço que tinha 3 crianças no primeiro pneu.

O poder público nunca ajudou, e com denúncias e inspeção fraudada, mandou que eu removesse tudo, me neguei a fazer, pois o material é da comunidade e não poderia levar para a minha casa. Então no dia 20 de dezembro, nas vésperas do Natal, o prefeito mandou cerca de 40 policiais, 6 viaturas e 5 caminhões, levaram tudo, 24 balanços, 4 tirolesas, 3 escadas de corda, e 1 gangorra de corda.

A comunidade colocou tudo de volta e no dia 24 de junho tiraram novamente, desta vez foram nesta praça e outras próximas, onde tiraram 38 balanços, 11 escadas de corda e 1 tirolesa para todas idades com deslocamento para 25 m.

A nossa compreensão dos fatos é a de que os bandidos ajudam e respeitam famílias felizes na praça e quem rouba os brinquedos é o poder público com denúncias fraudadas de não usuários, baseados em inspeções distorcidas. Pois sou cientista e não tem como fazer análise de segurança sem falar com quem fez e com quem usa. Nunca houve um acidente associado com a falha dos brinquedos que justificasse este tipo de comportamento. Mas, como houve uma reforma no parquinho da praça, onde se fez a pintura de 3 balanços e 3 gangorras, colocação de areia e um calcamento orçado em R$ 200 mil reais, nosso projeto não teria passado de R$ 5 mil reais, entendemos que enfrentamos uma onda forte de desvios de recursos públicos por pessoas com índole pior que a dos bandidos que ainda possuem vínculos de respeito à crianças e famílias em ambiente público.

R.USA – Como a prefeitura não dá nenhum tipo de apoio, o que seria obrigação desenvolver políticas de educação e lazer as crianças e á comunidade, a Câmara Municipal de Campinas, lhe deu ou tem dado algum tipo de apoio?

ED –  Acho que quatro vereadores apareceram quando os balanços foram retirados pela primeira vez. Mas, nunca houve uma legislação ou doação para o nosso projeto.

Até hoje nenhum vereador doou um real para comprar corda. O nosso entendimento é que os políticos querem voto e projetos fáceis de desvio de verbas. A árvore não cobra nada, os pneus são grátis, a madeira é refugo da construção civil. Nosso projeto não vai gerar propina para político e põe em risco os desvios já em andamento. Parece que o poder público é feito por pessoas que nasceram adultas e nunca tiveram infância. É um tipo de gente pior que bandidos, não respeitam famílias e crianças e por isso as nossas praças viram locais de usuários de drogas.

R.USA – Qual o nível de satisfação seu em estar desenvolvendo este projeto e fazendo várias pessoas felizes, inclusive as crianças?

ED –  Sou cientista e conheço a minha espécie. Estes acontecimentos não me surpreendem, pois o nosso país é rico, mas possui um serviço público deplorável e somos a segunda maior tragédia alcançada pela pandemia do Covid-19. Eu tenho patentes nos EUA e criei uma nova ciência. (http://iro-tubarc.blogspot.com/2015/01/hidrotecnologia-uma-nova-ciencia.html). Conheço a ciência e o funcionamento da sociedade.  Até mandei uma carta para a Vice-Presidente dos EUA a Kamala Harris, porque descobri uma onda de reinvenção dentro do sistema de patente americano, disse a ela que descobri a equação de salvação da humanidade = transparência e honestidade. Nada disto me surpreende, mas os princípios são válidos, crianças felizes na praça tem o poder de melhorar o Brasil.

R.USA – Elson, qual a mensagem que você deixa para as pessoas que estão lendo esta matéria, tanto para o poder público, como para quem gostaria de ter um balanço desses em seu bairro?

ED –  A minha mensagem é bem simples – “Vamos pedir ao Poder Público para aprender com a bandidagem a respeitar famílias e crianças balançando na praça, em vez de roubar os brinquedos com fraudes descabíveis, se preocupem em criar um país digno para as nossas criancinhas – OS BANDIDOS NÃO ROUBAM OS NOSSOS BALANÇOS, ELES AJUDAM A INSTALAR E CUIDAR. Teoricamente a solução é fácil, convencer a bandidagem seria difícil. Eu sempre digo que os piores bandidos estão dentro do serviço público. São pessoas que roubam e não precisam, já ganham muito, mas eles querem mais e mais. Este tipo de gente afunda o Brasil e torna o nosso país cada vez pior para os pequeninos. Basta dizer que cerca de 680 mil brasileiros mortos pela pandemia poderiam estar vivos se o país tivesse um funcionamento mais RACIONAL, e cerca de 5 mil crianças abaixo de 5 anos não tem mais os pais para criá-las. O meu PhD foi nos EUA e o Bill Clinton foi orador da minha formatura em 10 de maio de 1996 quando ele fez o primeiro discurso de reeleição na Penn State. Sou autoridade científica e o PODER PÚBLICO acha que sou jardineiro colocando balanço na praça. Tinha até uns agentes da Policia Civil tirando foto dos balanços com a inscrição POLICIA CIENTIFICA. Será que tem PhD na polícia ou eram apenas técnicos de ensino médio que nem sabe o que é ciência? Ciência começa com transparência e honestidade. Não tem como enganar a gravidade e os bebês aprendem a respeitar a Natureza ainda quando pequeninos e sabem das consequências dos passos errados. Não tem como negar a ciência que apenas tenta entender a natureza. Não existe negacionismo, mas uma ignorância abrangente e sutil difícil de dimensionar.

R.USA – Algo que deixamos de perguntar e você gostaria de dizer?

ED –  Acho que pode questionar o apoio da imprensa. Conseguimos duas reportagens parciais. Uma do Hora Campinas (https://protectingscience-tubarc.blogspot.com/2021/06/phlogiston-and-wicking.html) e no Mais Caminhos da EPTV (https://globoplay.globo.com/v/10762698/) Nenhuma destas reportagens fala do apoio da bandidagem e roubo dos balanços pela prefeitura. O meu entendimento é que a liberdade de expressão, tem o objetivo de lucrar e o tipo de informação que mais interessa e vende mais, são veiculadas com facilidade. Coisas boas como o nosso projeto tem pouco interesse e até fere o interesse do governo que é o maior cliente da mídia. Então, estas pessoas que roubam os nossos balanços tem um poder muito grande nos meios de comunicação e aquelas soluções boas que ferem os lucros e desvios de verbas tem dificuldades de receber apoio.

*PARA COLABORAR COM O PROJETO:
PIX: tubarc@gmail.com  | EMAIL: tubarc@gmail.com  | INSTAGRAM: @ravenabalanco